Reflexão pedagógica · Movimento da Escola Moderna

O que aprendi
sobre o trabalho
de projeto.

Aprender a perguntar, a planear e a trabalhar com os outros. Produzir conhecimento que faça sentido para quem o constrói e para quem o recebe.

A partir da comunicação de Sara Chacim, dos meus apontamentos
e de leituras complementares na Sebenta. Outubro de 2026.

Uma intenção que se transforma em ação
  1. 1 Imaginar
  2. 2 Dar sentido social
  3. 3 Desdobrar em ações
  4. 4 Planear em cooperação
  5. 5 Investigar e produzir
  6. 6 Comunicar
  7. 7 Avaliar e recomeçar
O plano orienta. O que acontece obriga a repensá-lo.
A ideia que retive

Um projeto começa quando alguém quer saber, fazer ou mudar alguma coisa. Essa intenção ganha forma num plano negociado, desenvolve-se com os outros e regressa à comunidade como conhecimento ou produção cultural.

01 / O que aprendi

O trabalho intelectual
precisa de tempo e de apoio.

Estas são as ideias que retenho. A escrita em primeira pessoa é uma síntese dos meus apontamentos e da comunicação, não uma transcrição literal.

01

O interesse comum é construído.

Uma curiosidade individual pode tornar-se uma questão do grupo. É preciso conversar, negociar e perceber o que queremos descobrir juntos. O Diário de Turma, o Conselho e as listas de verificação ajudam a ligar desejos, necessidades e aprendizagens curriculares.

Apontamentos, p. 1 · Canva, diapositivos 3 a 7
02

Planear também se aprende.

Preencher uma ficha não garante que exista um plano. Tenho de ajudar a transformar um tema em perguntas, as perguntas em ações e as ações em responsabilidades e tempos. Depois, o plano precisa de voltar à mesa em cada sessão.

Apontamentos, pp. 1 e 2 · Canva, diapositivos 8 a 12 · Sebenta, Trabalho de Projeto
03

Pesquisar exige tratar a informação.

Encontrar uma resposta é apenas uma parte do trabalho. As crianças precisam de ler, selecionar, comparar, explicar por palavras próprias e dizer de onde veio a informação. O professor acompanha estas operações, sobretudo quando a leitura e a escrita ainda estão a desenvolver-se.

Apontamentos, pp. 1 e 3 · Canva, diapositivos 14 a 16 · Sebenta, Trabalho de Projeto
04

Comunicar faz parte de aprender.

Preparar uma explicação obriga a organizar o pensamento. Quando os colegas perguntam, discordam ou pedem exemplos, o conhecimento volta a ser trabalhado. Quero que a comunicação seja um encontro em que a turma aprende e participa.

Apontamentos, p. 2 · Canva, diapositivos 17 e 18 · Sebenta, Circuitos de Comunicação
05

Um resultado imperfeito pode ensinar.

Retive a ideia de deixar espaço para que algo corra mal e depois avaliar o processo. Isso pede acompanhamento e condições para experimentar. Interessa perceber o que falhou, que decisões tomámos e o que podemos fazer de outra maneira.

Apontamentos, p. 2 · Canva, diapositivos 19 a 21
06

A autonomia também se prepara no espaço.

Na comunicação, retive a importância de uma sala em que os materiais estão acessíveis e são de todos. A organização do espaço pode permitir que as crianças avancem sem pedir autorização a cada passo. Quero olhar para os recursos da sala como parte do apoio ao projeto.

Gravação 1, cerca dos 35 minutos · Canva, diapositivo 16
02 / Como acontece

Sete etapas para orientar
o trabalho de projeto.

Uma síntese do Roteiro de Condução de Sérgio Niza, apresentado por Sara Chacim. Seleciona uma etapa para explorar o que acontece, o apoio do professor e os registos que ajudam.

Antecipar o que se quer
fazer, saber ou mudar.

O ponto de partida pode ser uma pergunta, uma vontade de construir algo ou uma situação que queremos transformar. O grupo começa a imaginar o que pretende alcançar.

O Diário de Turma, uma conversa ou a análise das aprendizagens previstas podem fazer emergir essa intenção. A adesão das crianças dá-lhe continuidade.

Pergunta orientadora · O que queremos descobrir, produzir ou transformar?Canva, diapositivos 3 e 4 · Complemento: Sebenta, Trabalho de Projeto

Clarificar o significado
social do trabalho.

Negociar a proposta e perceber quem poderá beneficiar dela. A intenção passa a ser discutida e assumida com os outros, por exemplo no Conselho de Cooperação Educativa.

Antecipar os destinatários ajuda a decidir o que produzir e como comunicar. A turma, outra sala ou a comunidade podem dar uso ao que aprendemos.

Pergunta orientadora · Para quem fazemos isto e que utilidade poderá ter?Canva, diapositivos 5 a 7 · Apontamentos, p. 1

Transformar a intenção
em ações concretas.

Desdobrar o que imaginámos em perguntas e ações. Podemos precisar de observar, ler, entrevistar, experimentar, contar, construir ou comparar.

É um momento de estruturar o pensamento. O grupo distingue o que já sabe, o que pensa saber e o que precisa de investigar para chegar ao produto ou à resposta pretendida.

Pergunta orientadora · O que teremos de fazer para chegar lá?Canva, diapositivos 8 e 9 · Complemento: Sebenta, Trabalho de Projeto

Distribuir o trabalho,
o tempo e as responsabilidades.

Decidir quem faz o quê, com que recursos e em que momentos. As responsabilidades são negociadas e ligadas aos objetivos que o grupo assumiu.

Combinar momentos de balanço permite verificar compromissos e reorganizar o trabalho. O plano funciona como referência partilhada e pode ser revisto quando surgem dificuldades.

Pergunta orientadora · Quem faz, quando faz e como nos ajudamos?Canva, diapositivos 10 a 12 · Apontamentos, pp. 1 e 2

Pesquisar, tratar informação
e preparar a produção.

Executar o plano inclui recolher informação, analisá-la e transformá-la em conhecimento que o grupo consegue explicar. Inclui também conceber a apresentação e preparar formas de recolher a reação dos destinatários.

Selecionar o que responde às perguntas, confrontar fontes e escrever por palavras próprias são aprendizagens que pedem ensino e acompanhamento.

Pergunta orientadora · O que descobrimos e como sabemos que faz sentido?Canva, diapositivos 13 a 16 · Complemento: Sebenta, Trabalho de Projeto

Comunicar para pôr
o conhecimento em comum.

Explicar o que se aprendeu, apresentar a produção e dar espaço a perguntas e comentários. A comunicação faz circular o trabalho e abre-o à apreciação de outras pessoas.

O grupo precisa de conseguir justificar escolhas, dar exemplos e responder aos colegas. Quem escuta participa, aprende e ajuda a tornar a explicação mais clara.

Pergunta orientadora · O que queremos que os outros compreendam?Canva, diapositivos 17 e 18 · Complemento: Sebenta, Circuitos de Comunicação

Avaliar o processo e
a utilização social dos resultados.

Voltar às perguntas e ao plano inicial. Avaliar o que se aprendeu, como o grupo trabalhou, a qualidade do produto e a forma como ele foi recebido ou utilizado.

As observações dos colegas e do professor ajudam a definir melhorias. Os resultados podem originar novos materiais de estudo, novas perguntas ou outro projeto.

Pergunta orientadora · O que aprendemos e o que faremos de outra maneira?Canva, diapositivos 19 a 21 · Complemento: Sebenta, Avaliação Cooperada

A apresentação

A explicação foi compreensível? Usámos o suporte para ajudar quem escutava? O que revelaram as perguntas dos colegas?

O produto

Responde às perguntas de partida? A informação é correta e tem fontes? É adequado aos destinatários e à utilização prevista?

O processo

Como pesquisámos e decidimos? Todos participaram? Que ajuda foi necessária? Que estratégias queremos voltar a usar?

Três vertentes apresentadas no diapositivo 19. Perguntas reformuladas para apoiar a reflexão.
03 / O que continuo a interrogar

Que trabalho intelectual
está a criança a fazer?

Nos meus apontamentos, a preocupação com a pesquisa das crianças cruza-se com uma pergunta sobre a IA e a produção cultural. Quero observar melhor o processo que sustenta aquilo que a criança apresenta.

As respostas seguintes são propostas de prática a experimentar. A questão sobre a IA vem dos apontamentos pessoais; não é apresentada como uma conclusão da comunicação de Sara Chacim.

Como apoiar a pesquisa das crianças mais novas?

Proponho selecionar poucas fontes acessíveis, ler em conjunto quando necessário e conversar antes de escrever. Pedir que expliquem uma ideia sem olhar para a fonte pode ajudar-me a perceber o que compreenderam e onde precisam de apoio.

Quando é que a IA ajuda a aprender?

Quero avaliar o seu uso pelas operações que a criança continua a realizar. Uma resposta gerada pode servir de objeto de comparação e crítica, com fontes verificadas. Se entrega o texto final sem que a criança leia, selecione, relacione e explique, essas oportunidades de aprendizagem ficam por realizar.

Como dar espaço ao erro e continuar a acompanhar?

Proponho combinar momentos de balanço e deixar que o grupo experimente soluções dentro de condições seguras. Depois, reconstruir as decisões, perceber o que não funcionou e registar uma melhoria concreta para a próxima sessão.

Como construir guiões que ajudem a pensar?

Quero partir das dificuldades observadas com a turma. Um guião pode recordar perguntas e critérios úteis, ser experimentado no projeto seguinte e revisto em conjunto. O seu valor está no uso que as crianças lhe dão.

04 / Levar para a sala

Começar com uma pergunta.
Voltar a ela no fim.

Um exemplo para tornar o percurso concreto e um guião para apoiar o próximo projeto.

Como reduzir o desperdício
de papel na nossa sala?

Exemplo proposto · não é um relato

Observar e negociarO grupo identifica a situação, conversa sobre o que já sabe e combina como observar o papel desperdiçado durante alguns dias.

Investigar e intervirRegista e compara quantidades, procura causas, decide uma mudança possível e acompanha o que acontece depois.

Comunicar e avaliarApresenta os dados à turma, explica as decisões e discute se a mudança resultou. Revê o plano a partir dos resultados.

Antes de começar, consigo responder?

0 de 6 pontos revistos. Usa esta lista para conversar com o grupo.
05 / De onde vêm as ideias

Comunicação, apontamentos
e leituras complementares.

As fontes têm papéis diferentes nesta síntese. As propostas de aplicação e as perguntas para a prática são formulações desta página.

Fonte principal · comunicação

O porquê e o como dos projetos

Sara Chacim, Núcleo do Porto do Movimento da Escola Moderna. Lisboa, julho de 2026. Apresentação de 23 diapositivos e duas gravações fornecidas com os apontamentos.

O Roteiro de Condução de Sérgio Niza organiza o percurso em sete etapas. Os exemplos e instrumentos da apresentação sustentam a explicação do processo nesta página.

Localizar as ideias no Canva
  • Diapositivos 3 e 4: intenção e antecipação.
  • 5 a 7: significado social e negociação.
  • 8 e 9: desdobrar a intenção em ações.
  • 10 a 12: plano, responsabilidades e balanços.
  • 13 a 16: execução, pesquisa e tratamento da informação.
  • 17 e 18: comunicação e circulação do trabalho.
  • 19 a 21: avaliação e critérios.
  • 22 e 23: síntese e bibliografia.
Fonte principal · registo pessoal

Os meus apontamentos

PDF manuscrito de três páginas, incluído no ficheiro “Projetos sex 11h30”. Regista ideias sobre o plano, o interesse comum, os guiões, a participação democrática, a avaliação e as potencialidades e perigos da IA.

A terceira página acrescenta uma preocupação com a qualidade do trabalho intelectual na pesquisa das crianças. Essa preocupação orienta as perguntas desta reflexão.

Leitura visual do original. Passagens de grafia ambígua foram tratadas com prudência, sem reconstruir citações.
Complemento · síntese da wiki

Três páginas da Sebenta

  • Trabalho de Projeto: intenção dos alunos, plano, destinatário real, acompanhamento do professor e avaliação.
  • Circuitos de Comunicação: funções cognitiva e social da partilha das aprendizagens.
  • Avaliação Cooperada: construção partilhada de critérios, regulação e participação dos alunos.

Consultadas em 23 de outubro de 2026 pela API local. As três páginas estão em estado de revisão. As referências por título identificam as leituras; a wiki pessoal tem acesso reservado.

Para aprofundar · referências da Sebenta

Leituras que enquadram o percurso

  • Gomes, I. (2011). Trabalho de Aprendizagem Curricular por Projetos Cooperativos. Escola Moderna, 39, 5.ª série.
  • Reis, I. e Martins, L. (2017). Aprendizagem por projetos no jardim de infância. Escola Moderna, 5, 6.ª série.
  • Perrenoud, P. (2000). Aprender na escola através de projectos: porquê? como?
Referências identificadas na página “Trabalho de Projeto” da Sebenta. Nesta preparação, foram consultadas através da síntese da wiki; não se apresenta uma leitura direta destas obras.

Nota editorial · Esta página reorganiza os materiais fornecidos para comunicar aprendizagens. O áudio foi tratado por transcrição automática local e cruzado com os diapositivos e os apontamentos; a transcrição contém passagens pouco nítidas e não é publicada como registo literal. Os originais do áudio e dos apontamentos permanecem fora da publicação. Os comentários sobre IA e as propostas de prática estão identificados como reflexão pessoal ou proposta.